Levantamento atualizado do Cipem aponta 1.331 caminhões parados e mais US$ 1,1 milhão em operações de exportação prejudicadas; instabilidade recorrente preocupa empresários
A paralisação dos sistemas de controle florestal do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), com reflexos no Sistema de Comercialização e Transporte de Produtos Florestais (Sisflora), da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), entre os dias 14 e 19 de outubro, provocou prejuízos estimados em quase R$ 60 milhões ao setor de base florestal de Mato Grosso.
Levantamento atualizado do Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato Grosso (Cipem) contabiliza 1.331 caminhões parados e perdas que atingem toda a cadeia produtiva, incluindo toras, madeira serrada e beneficiada, além de biomassa.
Os sistemas Documento de Origem Florestal (DOF) e Sinaflor voltaram a funcionar na tarde de segunda-feira (19), mas ainda apresentam oscilações. As falhas recorrentes comprometem o transporte de madeira, o abastecimento das indústrias e o cumprimento de contratos comerciais.
Segundo o levantamento, o faturamento comprometido chega a R$ 52,39 milhões, enquanto multas, diárias de motoristas e outras despesas somam R$ 2,22 milhões. Outros R$ 5,24 milhões correspondem a danos em cascata, como cancelamentos de contratos, perda de clientes, devolução de cargas e paralisação de linhas de produção por falta de matéria-prima. Há ainda US$ 1,1 milhão em operações de exportação prejudicadas.
“Não podemos tratar como normal uma situação em que todo um setor produtivo fica impedido de trabalhar porque os sistemas de controle ambiental não funcionam. Quando o sistema cai, a indústria para, o caminhão não circula e os compromissos comerciais deixam de ser cumpridos. Quando volta, os prejuízos já estão acumulados”, afirma o presidente do Cipem, Ednei Blasius.
Os números ainda são parciais e podem aumentar, já que muitas empresas priorizaram a retomada das operações após o restabelecimento dos sistemas e ainda não concluíram o levantamento de seus prejuízos.
Na última semana, o Cipem divulgou nota oficial repudiando a paralisação e cobrando providências dos órgãos responsáveis. Para a entidade, a retomada do funcionamento não resolve um problema que se tornou recorrente.
“O setor cumpre uma legislação ambiental rigorosa e depende dessas ferramentas para trabalhar legalmente. Não é aceitável que as empresas sejam penalizadas pela instabilidade dos próprios sistemas públicos. Precisamos de uma solução definitiva, que garanta segurança e previsibilidade às operações”, reforça Blasius.
O Cipem continuará apurando os prejuízos e cobrando dos órgãos competentes medidas que assegurem a estabilidade dos sistemas de controle florestal